França a ferro e fogo. Macron promete país unido contra "semeadores do caos"

França a ferro e fogo. Macron promete país unido contra "semeadores do caos"

Confrontos entre a polícia e manifestantes eclodiram em cidades de toda a França este sábado, com registo de vários incidentes e pilhagens. O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o "saque" e "vandalismo" dos protestos e garante que "não há lugar para a violência" no país.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Kai Pfaffenbach - Reuters

Na reação à jornada de protesto mas também de violência em várias cidades francesas, o presidente francês declarou este sábado que quem "vandalizou" e "saqueou" será "processado e punido". 

"Não há lugar para a violência na nossa República. Aqueles que vandalizaram, atacaram câmaras municipais e empresas, e saquearam até as nossas câmaras municipais, serão processados ​​e punidos", assinalou. 

Através das redes sociais, Emmanuel Macron vincou que o país está "unido contra os semeadores do caos que procuram destruir as nossas instituições" e também "impedir que aquelers que expressam pacificamente as suas reivindicações o façam". 

Estes são os protestos mais violentos do país dos últimos anos desde o movimento dos "Coletes Amarelos", em 2018. Segundo o sindicato francês CGT, "mais de 500 mil pessoas" participaram nas ações de protesto de hoje. 

"O Governo deve pôr fim à repressão e responder imediatamente às reivindicações sociais", afirmou o sindicato, que saudou "mais um grande dia de mobilização" com "1.750 protestos e manifestações em toda a França". 

De acordo com os dados oficiais, pelo menos 400 pessoas foram detidas ao longo do dia. Registaram-se incidentes em várias cidades como Paris, Marselha ou Lille. 

Na capital, foram muitas as muitas horas de violência, desordem e perigo em Paris, situação que foi acompanhada de perto pelos correspondentes da RTP, Rosário Salgueiro e Paulo Domingos Lourenço.

"Estas ações incluem tentativas de pilhagens, confrontos com as forças da autoridade, incêndios em mobiliário urbano e ataques a centros de poder e veículos de comunicação", referiu o comunicado do Governo, atribuindo os distúrbios à "extrema-esquerda".

Sébastien Lecornu, primeiro-ministro francês, adiantou este sábado que o país não se deixará "intimidar" pela violência.

"Para aqueles que claramente querem usar esta violência como um 'aquecimento' antes da eleição presidencial, digo claramente: não nos deixaremos intimidar. Ninguém conseguirá impor a sua agenda política pela violência", afirmou através de uma publicação na rede social X. 

Durante a tarde de sábado, manifestantes forçaram a entrada na Câmara Municipal de Lille, no norte de França, tendo saqueado o edifício. Houve ainda registo de confrontos entre manifestantes e a polícia no centro da cidade.

Já ao final do dia, a residência da autarca de Bordéus foi saqueada durante os protestos. Foi mobilizada a RAID, uma unidade de elite da polícia nacional.

"Indivíduos invadiram e saquearam o local", disse um porta-voz da câmara municipal à agência France Presse. A presidente da câmara, Sophie Brocas, condenou "nos termos mais veementes possíveis" os danos causados ​​à residência e os saques a estabelecimentos comerciais no centro da cidade. 
 Reportagem no Telejornal | 17 de outubro de 2026

Em Saint-Étienne, no centro de França, um manifestante perdeu a mão após o disparo de uma granada por parte da polícia, segundo adiantou a agência France Presse. 

Em Lyon, no centro de França, os manifestantes incendiaram um posto de turismo.

Já ao início da tarde, dezenas de manifestantes tinham invadido a Câmara Municipal de Marselha, no sul. "Isto é a Revolução, vamos tomar a Bastilha", afirmaram aquando da invasão, numa referência aos eventos que marcaram o início da Revolução Francesa, em 1789. 

Em Bordéus, cerca de sete mil manifestantes entraram em confrontos com as forças de segurança no centro da cidade. 

(com agências)
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